segunda-feira, 8 de agosto de 2011

GASTAMOS POUCO, E GASTAMOS MAL EM SAÚDE: E AGORA?

A revista The Economicts de 30 de julho deu bom espaço par discutir o sistema de saúde brasileiro. Conceitualmente o sistema pode ser muito bom: universal e irrestrito. Evidentemente na prática isso não acontece como todos gostaríamos.

 

Dois pontos chamam a atenção

 

Gastamos POUCO: < 3% do PIB em saúde.  Nem perto dos 15% que os EUA gastam. Absolutamente não acho que o modelo norteamericano seja bom… a economia deles vem mostrando que vícios históricos acabam criando monstros em algum momento. Mas lembro que 3% do PIB é a metade do que a Argentina gasta….
 

Gastamos MAL: a quantidade de desperdício é triste… mas mais triste é ler frequentememte na imprensa que foi identificado mais alguma rota de desvio de verbas e mal uso do dinheiro público. Hospitais vazios enquanto emergências estão lotadas. Equipamentos mal dimensionados envelhecem em todos os cantos do pais e alguns aparelhos básicos como mamógrafos não estão disponíveis ou, ainda mais assustador, são o máximo que se consegue: mesmo com diagnósticos graves o paciente ainda deve enfrentar o martírio de conseguir acesso a tratamento.
 

Bom… não falei nenhuma novidade acima… mas vou tentar apontar algumas estratégias que eu visualizo para tentar melhorar o cenário.

 

Desjudicializar (me permitam o neologismo) aquelas demandas que SEMPRE tem mesmo resultado. Ora…. se determinada demanda judicial sempre reverte em obrigatoriedade de compra de determinado produto, porque não regulamentar protocolo de acesso, minimizando despesas, desafogando o judiciário e desestressando usuário do sistema?
 

Formalizar análises de custo-efetividade ou custo-utility consistentes. Usar a bela rede universitária e/ou terceirizar estas tarefas (como fazem vários países citados como benchmarking… a citar Inglaterra e Canadá) e listar prioridades com verdadeiro benefício. Todos concordamos que a idéia de regulamentar as incorporações de tecnologias em saúde é extremamente bem vinda. Aliás…. é o que venho sustentando há muito tempo. Não tem sentido não pautar debate sobre preços x desfechos em uma sociedade que busca equidade de acesso a boa medicina, com orçamento limitado. A recentemente publicada lei 8080 – que tenta regulamentar as incorporações – é um bom começo…. mas é só começo. Não posso deixar de citar que o veto ao dispositivo que regulava o descumprimento de prazo renovou um conceito que nunca dá certo: ter prazo que, se não cumprido, não tem conseqüência nenhuma. Espero que a lei não seja, daqui um tempo, classificada entre aquelas que “não pegou”.
 

Fomentar acesso ao sistema suplementar. Desonerar operadoras de saúde suplementar que tenham projetos de prevenção e manutenção de saúde consistentes e criativos, prestigiem e respeitem seus parceiros (médicos e serviços credenciados) e tragam modelos de gestão enxutos, permite revitalizar o modelo atual (que anda anímico). Planos de saúde mais baratos permitem desafogar o sistema público, podem viabilizar acesso  a um sonho de consumo de uma grande fatia de brasileiros que tem como  saúde uma meta de felicidade e aumenta a competitividade no setor.
 

Por último: definitivamente temos que AUMENTAR os recursos para saúde. Até acho que todos concordam com isso. Alguns defendem aumento de tributos para isso, outros apontam melhoras na gestão como solução. Talvez a solução seja algum ponto entre estas duas formas…. deixo isso para os economistas e gestores. Eu, particularmente, acho que aumentar tributo sem mostrar significativa mudança no processo é um desrespeito ao brasileiro.
 

Listar medidas práticas de sucesso já é um bom começo. Deixe sua sugestão e contribuição. Quem sabe retuitando, compartilhando e repassando idéias, elas chegam nas pessoas que efetivamente podem mudar o modelo vigente.

Stephen Stefani, médico, oncologista, Presidente do ISPOR Brasil

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