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quarta-feira, 29 de fevereiro de 2012
SOBRE AS "SUPER" BACTÉRIAS
Em 2009, houve um número expressivo de pacientes contaminados e infectados, pela bactéria Acinectobacter baumanii, em Santa Catarina. Com óbitos.
Em 2010, houve um número expressivo de pacientes contaminados e infectados pela Klebsiella pneumoniae carbapenemase (KPC), em São Paulo. Com óbitos.
Em 2012, novos casos de contaminação e infecção por KPC, em Santa Catarina. Com óbitos.
Em todo o mundo, casos continuam ocorrendo. Com óbitos.
Muitos fatores contribuem para este cenário, desde a lavagem incorreta das mãos, até a prescrição sem critérios e abusiva dos antimicrobianos. Com a medida tomada pela ANVISA, de retenção da receita de antimicrobianos, houve diminuição do uso indiscriminado pela população.
Mas, comentarei sobre o uso dos antimicrobianos.
O que todos esperamos, quando nos deparamos com a necessidade de internação hospitalar, é que , no mínimo e dependendo da causa desta internação, apresentemos melhora do quadro clínico. Não se imagina, que se possa adquirir um quadro infeccioso dentro de um lugar que deveria restabelecer a nossa saúde.
A esta expectativa de termos restabelecida a nossa saúde, sem fatores complicadores que não os advindos da própria evolução da doença, chamamos de SEGURANÇA do paciente, que faz parte da Gestão do Risco Assistencial. E que significa qualidade na assistência prestada.
Mas, infelizmente, não é isto que ocorre. A freqüência dos casos de infecção em serviços de saúde como um todo, não somente em hospitais, é assustadora e preocupante, e tem dados subdimensionados.
Estas duas bactérias (e existem muitas outras), não são estranhas ao nosso organismo. Participam da nossa flora, normalmente. E não estão, habitualmente e tão somente, nos hospitais. Ambas são responsáveis por muitos casos de infecção adquiridas na comunidade e no hospital.E são “tratáveis” com antimicrobianos.
Mas, desenvolveram o que chamamos de resistência aos antibióticos, tornando-se multirresistentes.Por quê?
Em 19/06/10, foi publicado na Folha de São Paulo, que “Mais de um terço (35,4%) dos hospitais públicos e privados do Estado de São Paulo não controla o uso de antibióticos, prática determinada por lei federal e pelo CFM (Conselho Federal de Medicina) há mais de dez anos.
Este dado faz parte do maior levantamento já feito no Estado de São Paulo, sobre o controle da infecção hospitalar, coordenado pelo Ministério Público Estadual e pelo Cremesp (Conselho Regional de Medicina do Estado de São Paulo).
O relatório final, que envolveu 158 hospitais paulistas, foi publicado, mas os nomes dos hospitais que registraram falhas no controle dos antibióticos não foram revelados.
"É um absurdo as proporções desse descontrole da antibioticoterapia. Se os hospitais tivessem CCIHs atuantes, isso não estaria acontecendo. Já tem lei, já tem resolução, não sei mais por onde a gente pode cercar para melhorar isso", diz o infectologista Caio Rosenthal, conselheiro do Cremesp.
Pare ele, um dos fatores que ainda gera o descontrole dos antibióticos no ambiente hospitalar é a "vaidade médica". "Muitos médicos não admitem interferência na prescrição de antibióticos. São vaidosos. Outros são mais lúcidos e até procuram as CCIHs para discutir o caso."
Mas não é o que rotineiramente acontece, segundo o infectologista Artur Timerman, responsável pela comissão de controle de infecção do Hospital Edmundo Vasconcellos, em São Paulo. "Somos ainda vistos como os vilões, os chatos que querem proibir os antibióticos."
De acordo com Didier Pittet, diretor da OMS (Organização Mundial da Saúde) para a Segurança dos pacientes, a verdadeira “pandemia” hoje é a resistência a antibióticos. "É uma epidemia silenciosa e uma bomba com detonação retardada."
O desafio da resistência aos antimicrobianos (antibióticos), diante de agentes infecciosos para os quais ainda não existem tratamentos eficazes, torna imprescindível a conscientização de todos os profissionais de saúde sobre o uso adequado destes agentes, e da prática rotineira de todas as demais medidas para prevenção e tratamento das infecções. Trata-se de responsabilidade de todos, inclusive e principalmente dos gestores.
A promoção do uso racional e seguro dos antimicrobianos, deve ultrapassar as barreiras dos serviços de saúde, devido ao comprovado desenvolvimento de cepas multirresistentes na comunidade.
O uso inadequado de antimicrobianos é a maior força promotora da disseminação de agentes infecciosos multirresistentes.
Considero os antimicrobianos “drogas sociais”, porque se há abuso ou subemprego de um anti-hipertensivo, por exemplo, somente este paciente é prejudicado. No caso dos antimicrobianos, o uso inadequado com o conseqüente surgimento de multirresistência, afeta não somente ao paciente, mas a toda a população.
Assim, a atuação efetiva das CCIH (Comissões de controle de infecção hospitalar ou em serviços de saúde), com o apoio dos gestores e conscientização de que a responsabilidade é de todos, é um dos indicadores da qualidade dos serviços de saúde, demonstrando a preocupação com a Segurança.
Há esta preocupação?
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