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sexta-feira, 22 de junho de 2012
MÉDICOS: A SOCIEDADE QUER QUALIDADE, O GOVERNO QUER QUANTIDADE
Qualquer pessoa de bom senso sabe que o exercício da Medicina requer conhecimento científico de excelência, além de outros requisitos indispensáveis, como a postura humanística. Ser médico não é um sacerdócio, diferentemente do que alguns defendem. Porém, exige compromisso, responsabilidade, entrega e uma formação impecável.
No Brasil, infelizmente, isso não se aplica, ao menos quando falamos de políticas de educação e ensino. Faz tempo que resolveram formar médicos dando prioridade à quantidade e não à qualidade. Nas últimas quatro décadas, saltamos de 62 faculdades de Medicina para as atuais 180.
A autorização de abertura de novos cursos médicos ocorreu _ e ainda ocorre _ sem critérios. Das novas faculdades, não se exigia corpo docente qualificado, infraestrutura adequada, hospital-escola e compromisso social. Assim, os empresários do ensino seguem criando escolas de péssima qualidade, pensando apenas em colher dividendos. Claro que falamos em risco iminente à saúde e à vida da população. Um médico com formação inadequada representa, também, desperdício para os cofres públicos.
A incompetência retarda os diagnósticos, prejudica tratamentos, aumenta os gastos da assistência. Enfim, todos nós perdemos com ela. Virou notícia a informação de que os ministérios da Educação e da Saúde estariam trabalhando em um plano nacional de educação médica com o objetivo de aumentar o número de profissionais por habitantes no país.
O problema não é a quantidade de médicos. É dar condição aos médicos para o exercício qualificado da profissão. Isso passa, por exemplo, pela criação de condições de trabalho dignas, como estrutura física, equipamentos e acesso a exames de diagnostico, por remuneração justa no sistema de saúde suplementar, por gestão séria da saúde, e inclusive pela imediata regulamentação da Emenda Constitucional 29.
Antônio Carlos Lopes, presidente da Sociedade Brasileira de Clínica Médica
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