Levando em consideração a reflexão sobre o último artigo, intitulado “bolha da saúde”, gostaria de comentar algumas possíveis saídas para o setor de saúde suplementar. Embora saiba que é preciso ter o cuidado e a humildade de saber que este é um assunto mais do que discutido entre as ‘autoridades’ e eminências do setor, cumpro aqui o papel de observador da cadeia e me sinto relativamente à vontade para refletir sobre suas possíveis soluções.
O mercado já apresenta sinais de associativismos e modelos mais formais de parceria como possíveis saídas sem que seja preciso, necessariamente, excluir algum ator da cadeia. E que cadeia! Podemos elencar rapidamente o RH das empresas contratantes, as corretoras, as fontes pagadoras, as indústrias farmacêuticas, de equipamentos, de materiais hospitalares e de consumíveis, os distribuidores e fornecedores, os prestadores de serviços de saúde, as associações, os órgãos e os conselhos de classe e de especialidades, os médicos, pesquisadores, pacientes, acompanhantes e profissionais da saúde em geral, entre outros.
Por mais desgastado que o termo ‘parceria’ possa estar, acredito fortemente, que pelo nível de interdependência da cadeia, este seja o melhor e – por que não dizer? – mais simples caminho a ser trilhado. O mercado, de fato, já vem apontando uma aproximação entre elos que antes sentavam em lados opostos; contudo observa-se que o foco converge sempre para uma intensa disputa entre as partes, culminando em seus isolamentos. Exemplos disso são a aproximação das indústrias com as operadoras, das operadoras com as áreas de recursos humanos dos seus clientes e da área assistencial com a área administrativa dos prestadores, entre tantos outros que poderia citar. O que parece estar existindo de fato é uma consolidação formal e informal: Formal quando há movimento de aquisição e fusão entre empresas; e informal por meio do associativismo movido pelos interesses múltiplos. Neste caso a integração é virtual!
Consigo enxergar um alinhamento em formação entre indústria, fornecedores, operadoras, prestadores, administradores e equipes médicas para atenderem, ao mesmo tempo, a equação da excelência na técnica médica com a otimização dos custos. Neste modelo, haverá uma clara e inevitável ruptura, que aqui chamo de banda ‘A’ e banda ‘B’. A banda ‘A’ representada por aqueles com interesses convergentes, transparentes, complementares, éticos e possíveis. Já na banda ‘B’, encontraremos o DNA que forma e expande a “bolha da saúde”, composto por aqueles que engordam os custos encarecendo o sistema e a cadeia, por meio de atitudes, processos e políticas não desejáveis.
A pessoa jurídica, que ao final do processo alimenta as fontes pagadoras de toda a cadeia, não suporta arcar mais – inclusive com os impostos incidentes – sobre a ineficiência de gestão e relacionamentos, tais como: o custo das decisões políticas em detrimento da racionalidade empresarial, dos descontos de duplicatas, das comissões espúrias, dos erros médicos e complicações que poderiam ser evitados – assim como tantos outros aspectos -podem ser elencados como fatores que apenas sobrecarregam a cadeia, onerando-a, sem trazer qualquer benefício.
É possível que vejamos nitidamente e cada vez mais as duas faces da saúde aqui chamadas de banda ‘A’ e banda ‘B’, consolidando-se cada uma à sua maneira. O que me alegra é que venho encontrando no mercado empresas e profissionais buscando o primeiro caminho, o que se num primeiro momento pode lhes parecer impossível, ao iniciarem-se na sua trilha, mostra-se factível; ao passo que vejo diminuídas, gradativamente, as possibilidades de se trilhar neste setor enaltecendo o individualismo e a ganância que levam inevitavelmente às práticas indesejáveis. Fundamentado nesta hipótese, há de se encontrar duas grandes correntes em formação, sendo a primeira constituída por clusters, já evidenciados em outros setores mais maduros da economia e a segunda, para a qual há de formar trincheiras ainda mais aguerridas que as existentes atualmente.
ENRICO DE VETTORI
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