domingo, 25 de março de 2012

DA SÉRIE SEGURANÇA DO PACIENTE 3

Segurança do paciente: eventos adversos podem ser evitados

Portugal, exemplo a ser seguido.

As duas últimas décadas apresentaram crescente interesse social pelo tema da segurança do paciente. Despertados pela significativa ocorrência de eventos adversos em todo o mundo, gestores de saúde, profissionais da área do direito, da saúde, da mídia, acadêmicos e muitos outros, buscam debater, sob diferentes perspectivas, as consequências desses eventos para a sociedade.

A experiência e o olhar europeu sobre esta questão,já apresentam destaque mundial.

O pesquisador português da Escola Nacional de Saúde Pública da Universidade Nova de Lisboa, Paulo Souza, proferiu, na Escola Nacional de Saúde Pública, em 2011, a palestra Segurança do Paciente: Um Panorama Europeu.

Em sua apresentação, Paulo Souza contextualizou o conceito de Segurança do Paciente, falou sobre a realidade da segurança do paciente em Portugal e na Europa, e ainda discutiu aspectos atuais e tendências futuras relacionados ao tema. De acordo com ele, a segurança dos pacientes hoje é reconhecida internacionalmente como um componente da qualidade em saúde.

Ele disse que, apesar da Europa, em particular Portugal, estar passando por uma crise financeira severa,o governo está lidando com o aumento da procura por cuidados de saúde, decorrentes principalmente do envelhecimento da população, e o consequente aumento da incidência e prevalência de doenças crônicas frente à desaceleração econômica e a natural contenção de investimentos em saúde, da seguinte maneira:

Promovendo a cultura da responsabilidade perante a sociedade (accountability) e a valorização de questões relacionadas à qualidade e à segurança do paciente;
Desestimulando a cultura da culpabilização e discriminação perante as "falhas" e suas consequências;
Incentivando a pesquisa de evidências na área da segurança do paciente;
Identificando as muitas falhas na organização de ações desenvolvidas,no sentido de analisar as causas e diminuir ou eliminar as falhas;
Realizando o diagnóstico institucional, para notificação e análise dos EADs, com identificação das oportunidades de melhorias.


Em Portugal, cada hospital desenvolve seu modelo de relatório de eventos adversos e define sua própria estratégia. O que mudou com a inserção dos programas de acreditação hospitalar:

"Este processo teve início em 2009 e envolveu sete hospitais. Mas, já em 2000/2001, trabalhamos com outro grupo composto de nove unidades. Em 2002, formamos o terceiro grupo com quatro hospitais integrantes. Com este processo, tivemos avanços e alcançamos mudanças, como, por exemplo, no estatuto jurídico de algumas unidades de saúde. Há cerca de três anos, iniciamos quatro experiências-piloto em Centros de Saúde (USF) e, em 2010, conseguimos disseminar este modelo de acreditação a outras unidades de saúde de cuidados primários e aos hospitais.

Neste processo, trabalhamos com três modelos diferentes de acreditação e o que percebemos em comum, entre eles, foram padrões de qualidade explícitos em indicadores, que permitem monitorar as atividades. Além disso, todos eles têm a intenção de fazer com que a instituições de saúde reflitam a qualidade.

Estes modelos incluíram padrões para a área da segurança do paciente referentes à medicação, infecção hospitalar, cirurgias, quedas etc.

Um estudo piloto de incidência, impacto e evitabilidade, realizado pela Universidade Nova de Lisboa em 2011, mostrou, entre outros indicadores, que, em 11,1% dos casos estudados, foi confirmada a ocorrência de eventos adversos (EAD).

E o que, especialmente, chama a atenção, é que mais de 53% dos casos de EAD foram considerados evitáveis. A maioria das admissões nos hospitais foi feita pelas urgências (56,6%), mas, somente 3% delas foram de caráter emergencial.
Nos outros 43,4%, a admissão foi eletiva. Cerca de 30% dos processos clínicos apresentaram critérios de positividade para a ocorrência de eventos adversos.

Cerca de 60% dos indivíduos com notificação de EADs apresentaram idade superior a 65 anos. Isso mostra uma variação na razão direta do aumento da idade. Outro dado importante é que 58,7% dos casos de EADs tiveram o prolongamento da internação como consequência, estendendo o período por uma média de dez dias, segundo Paulo Souza."

O impacto disso pode ser observado em diferentes áreas, pois os EADs levam à perda de confiança nas organizações de saúde, como também em seus profissionais; geram aumento significativo dos custos sociais e econômicos; e afastam os resultados em saúde daquele esperado, com consequência direta na qualidade do cuidado prestado.

Em 2006, o custo individual total por dia de internação foi de pouco mais de €403,00. No Brasil, a ocorrência de EADs chega a 7%, no Canadá 7,5%, na Suécia 12,3%, e na Nova Zelândia quase 13%.

Fonte: ENSP



A equipe da ProConsultRJ entende que, no Brasil, há dificuldade na identificação e notificação dos eventos adversos em saúde, o que explica o subdimensionamento dos 7% de EADs.

O trabalho da ProConsultRJ apresenta dois eixos principais, e que são interligados: Segurança do Paciente e Qualidade de Vida no Trabalho, pilares para a construção da cultura da qualidade na assistência à saúde.

A incorporação desta cultura (da qualidade) traz resultados satisfatórios, longevos, e de relevância social.



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